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Soutenance de Nicolas Quirion

Photo Nicolas Quirion, 2019.

Le mercredi 24 mars 2021, à 14 h (heure de Paris), à l’Université de Paris et en même temps à l’Université Fédérale de Rio de Janeiro, Nicolas Quirion a soutenu sa thèse de doctorat intitulée : « Convivialité et conflits aux marges de la ville : la présence d’Européens et d’Africains dans les favelas de Rio de Janeiro (Convivialidade e conflitos às margens da cidade: a presença de europeus e africanos nas favelas do Rio de Janeiro)« .

Discipline : Migrations et Relations Interethniques / Planification Urbaine et Régionale

Direction de thèse : Dominique Vidal / Soraya Silveira Simões

Composition du jury :

  • Dominique Vidal (directeur, UP)
  • Soraya Silveira Simões (directrice, UFRJ)
  • Armelle Enders (rapportrice, Paris 8)
  • Daniel Cefaï (rapporteur, EHESS )
  • Elsa Ramos (examinatrice, UP)
  • Alain Pascal Kaly (examinateur, UFRRJ)
  • Lia de Mattos Rocha (examinatrice, UERJ)
    Helion Póvoa Neto (examinateur, UFRJ)
  • Renato Emerson Nascimento dos Santos (membre invité, UFRJ)

Résumé : Ce travail cherche à proposer une réflexion sur la construction et le maintien de l’altérité dans la ville brésilienne de Rio de Janeiro. Pour cela, nous nous concentrons sur le cas d’immigrés internationaux (Européens et Africains) qui résident dans un espace caractéristique : la favela. Nous traçons d’abord une genèse des différentes catégories utilisées, en utilisant une approche socio-historique. Quant au travail ethnographique, nous nous concentrons sur deux localités: Vila do Pinheiro, une des favelas de Maré, dans la partie nord de la ville ; et Pereira da Silva, à Laranjeiras, dans la zone sud. Nous identifions les implications sociales dévoilées par la présence des deux groupes spécifiques d’étrangers au cœur d’un espace (la favela) qui continue d’être considéré comme étranger à la ville. L’observation d’immigrés dans un tel contexte urbain — historiquement marginalisé, bien que lié au reste de la cité par de multiples liens — permet de porter un regard nouveau sur les enjeux habituels de la différenciation urbaine ; qu’il s’agisse des logiques d’exclusion et de stigmatisation, ou bien des dynamiques cosmopolites et de fluidification des relations de marché. De cette manière, nous essayons de capturer et de couvrir un enchevêtrement de thèmes sociaux liés par les idées d’appartenance, de séparation et d’altérité. Les résultats de l’observation empirique sont mobilisés pour mettre en évidence certaines problématiques, situées à l’intersection de conflits symboliques et politiques susceptibles de résonner avec l’histoire sociale brésilienne ainsi qu’avec certaines dynamiques globales.

Mots-clés : Favela. Rio de Janeiro. Ethnicité. Migration.


Réunion Zoom, avec une partie en présentiel : salle Laplanche (576) du bâtiment Olympe de Gouges. Plan d’accès.


Fruto de uma cotutela entre o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ), e a Unidade de Pesquisas Migrações e Sociedade da Universidade de Paris (URMIS/UP), esse trabalho foi orientado pela Professora Soraya Silveira Simões (UFRJ) e pelo Professor Dominique Vidal (UP).

Composição da banca: Armelle Enders (Paris 8, relatora), Daniel Cefaï (EHESS, relator), Lia de Mattos Rocha (UERJ), Alain Pascal Kaly (UFRRJ), Elsa Ramos (UP), Helion Póvoa Neto (UFRJ) e Renato Emerson Nascimento dos Santos (UFRJ).

Resumo: A tese propõe uma etnografia de dois grupos estrangeiros que se estabeleceram em determinadas favelas da capital fluminense. Com efeito, desde meados dos anos 1990, uma população relativamente importante de angolanos reside em certas localidades do gigantesco « complexo » de favelas da Maré. Principalmente concentrados na Vila do Pinheiro, eles desenvolveram redes de solidariedade e criaram lugares de sociabilidade que são importantes pontos de referência para seus compatriotas. Por outro lado, mais recentemente, em algumas favelas próximas das principais zonas de opulência da cidade, foi observada a instalação residencial de um contingente significativo de europeus, geralmente vindos de países como Alemanha, França ou Inglaterra. Em particular, essa presença imprimiu uma marca durável no pequeno Morro Pereira da Silva, o segundo campo da pesquisa. Que motivos levaram esses estrangeiros a viver em uma favela? Como esse fenômeno foi apreendido pela sociedade como um todo e pelos outros habitantes das localidades em questão? De que maneira se configuram os encontros ou desencontros entre nacionais e estrangeiros em tais âmbitos? Como os grupos exógenos se apropriaram do espaço favelado; e que tipos de atividades (econômicas, culturais, sociais) desenvolveram lá? Para examinar essas questões, além das observações empíricas, tentamos entender como a formação sociohistórica brasileira pôde determinar em parte as trajetórias dos sujeitos da pesquisa. Indagamos também os processos históricos, políticos e culturais que contribuem a tecer uma complexa teia de representações em torno da favela — um objeto urbano em contínua (re)construção simbólica.